O projeto do Parque Agrotecnológico do Cariri Paraibano
(Agroparque), submetido pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido
(CDSA/UFCG) ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foi incluído
na lista das 45 propostas habilitadas para seleção.
Na Paraíba, apenas seis propostas enviadas através de Termos
de Descentralização foram habilitadas. O CDSA enviou o projeto “Centro
Vocacional Tecnológico do Cariri Ocidental Paraibano” que consiste na proposta
do Parque Agrotecnológico do Cariri Paraibano, sendo a única da UFCG habilitada.
As demais instituições que tiveram projetos habilitados na Paraíba foram a
Universidade Federal da Paraíba com uma proposta e o Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia (IFPB), com quatro propostas. Dentre as
propostas no estado, enviadas através do Sistema de Convênios do Governo
Federal (SICONV), apenas a Prefeitura do Conde teve um projeto habilitado.
A publicação do resultado final da seleção dos projetos
acontecerá no dia 16 de novembro próximo.
O Agroparque ocupará um total de 44,47 hectares do Campus de
Sumé, sendo administrado pelo Núcleo de Produção Agropecuária (NUPAGRO), órgão
suplementar do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, que tem por
objetivo ser uma referência em Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento
sustentável do Semiárido. Seu objetivo principal é construir e proporcionar
conhecimento técnico-científico, objetivando desenvolvimento local sustentável
por meio de pesquisa básica, extensão tecnológica e educação profissional e
tecnológica, ações que venham a contribuir com o desenvolvimento sustentável da
agricultura familiar camponesa do Semiárido.
Será constituído por uma Área de Preservação Permanente
(26,73 hectares), Fazenda Experimental e Complexo Agroindustrial Modelo, além
de algumas estruturas associadas, como o Centro de Formação da Agricultura
Familiar (CEAF), Laboratório de Solos, Laboratório de Ecologia e Botânica,
Laboratório de Irrigação e Drenagem, Laboratório de Hidráulica, dois Viveiros
de Mudas e o Núcleo de Bioengenharia do Semiárido (NBS) - primeira Empresa
Júnior constituída no CDSA.
A Fazenda Experimental, já em funcionamento, conta com casa
sede (em reforma), poço, caixa d’água, biodigestor, áreas de produção vegetal e
animal, pomares, banco de proteína (Leucena), campineiras, uma Unidade de
Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS (Implantada em parceria
com o SEBRAE), plantios irrigados por gotejamento e microaspersão, campos
experimentais de adensamento da Caatinga com Umbuzeiro (1,2 hectares), Palma
Forrageira resistente à coxonilha, Soja resistente à salinidade para forragem
animal e Milheto. O parreiral está sendo revitalizado com o Projeto de
Vitivinicultura (Em parceria com as Vinícolas Milano, Bianchetti e Rio Sol, do
Vale do São Francisco, em Petrolina-PE e Juazeiro-BA) e os Tanques de
Piscicultura estão preparados para o peixamento, que será realizado em parceria
a empresa produtora de ração Fri-Ribe.
Também faz parte da Fazenda Experimental a Estação
Climatológica de Superfície, implantada no local em convênio com a Financiadora
de Estudos e Projetos (FINEP), Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB)
e Governo do Estado da Paraíba. A Estação faz parte da ampliação da rede de
monitoramento meteorológico do Estado da Paraíba e possui sensores que permitem
a medição da precipitação, radiação solar global, temperatura e umidade
relativa do ar, pressão atmosférica, velocidade e direção do vento, temperatura
do solo em três níveis, 0,1m, 0,2m e 0,3m de profundidade, umidade do solo em
cinco níveis distintos, 0,1m, 0,2m, 0,3m, 0,4m, 0,5m. A estação coleta dados a
cada 10s e realiza uma totalização dos parâmetros medidos a cada hora. Permite
a transmissão de dados via modem celular uma vez por dia a Agência Executiva de
Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). Estes dados em breve estarão
disponibilizados on-line por meio de links que serão disponibilizados nos
portais da AESA e CDSA/UFCG.
Um convênio firmado entre o CDSA, a Secretaria de Educação
do Estado da Paraíba e a Fundação Parque Tecnológico propiciará, ainda em 2012
a instalação das unidades demonstrativas de Hidroponia e de Criação de
Codornas, bem como de campos experimentais de mamão e feijão verde, irrigados
por microaspersão e gotejamento.
De Acordo com o diretor do CDSA, Márcio Caniello, os galpões
para caprinovinocultura semiconfinada, estrutura pré-moldada atualmente no
antigo Parque de Exposições, onde se localizará o Complexo Agroindustrial
Modelo, será desmontada e transferida para a Fazenda Experimental. Ele informou
que instituições parceiras e criadores locais doarão caprinos e ovinos para a
composição do rebanho do CDSA. Também falou que a área de produção animal da
fazenda ainda contará com estruturas para suinocultura e avicultura (galinha
caipira), para implantação das quais o Nupagro anda em busca de parcerias.
Atualmente uma unidade de suporte importante para a Fazenda
Experimental e para o setor de paisagismo da Prefeitura do Campus é o Viveiro
de Mudas, construído com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA),
em gestão compartilhada ente a UFCG, a Escola Agrotécnica de Sumé (EAS) e o
Fórum do Território da Cidadania do Cariri Ocidental, o qual é composto de área
coberta para manejo, depósito e oficina, viveiro sombreado, canteiros, horta,
minhocário e área para compostagem.
“O Complexo Agroindustrial Modelo é outra estrutura do
Agroparque, que será composto, inicialmente, pelo Laticínio-Escola (parceria em
construção com o INSA/MCTI), Fábrica de Ração (parceria em construção com o
Governo do Estado da Paraíba/BNDES), Unidade de Processamento de Carne
(parceria com o MDA/Secretaria de Agricultura da Paraíba/Abatedouro de
Monteiro), Biodigestor com usina de energia (a procura de parceiros), a
Incubadora de Empresas (já instalada), Empresas Juniores e o Centro Vocacional
Agrotecnológico do Cariri Paraibano (CVT AGROCARIRI)”, destacou o professor.
Sobre o CVT AGROCARIRI, projeto encaminhado ao Ministério de
Ciência, Tecnologia e Inovação, com um orçamento de R$ 2.318.720,04, (dois
milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e vinte reais e quatro centavos),
se constituirá na principal base laboratorial do Agroparque, um edifício com
área de 757,5 m², onde serão alocados o Laboratório de Biotecnologia Animal,
voltado fundamentalmente à melhoria das raças caprina e ovina adaptadas ao
Semiárido e a Biofábrica, dedicada ao cultivo de tecidos vegetais, reprodução
in vitro e produção em escala industrial de espécies melhoradas, principalmente
aquelas voltadas para a nutrição animal. O CVT ainda terá uma sala de reuniões,
hall para exposições, banheiros, copa, loja para comercialização de produtos
desenvolvidos no Complexo Agroindustrial Modelo, na Fazenda Experimental e nas
Empresas Juniores e Incubadas, bem como ambientes de trabalho para professores,
técnicos, pesquisadores e estudantes envolvidos nos projetos de pesquisa
básica, extensão tecnológica e educação profissional e tecnológica.
De acordo com o Plano de Negócios elaborado pelo Nupagro
(disponível no endereço:
http://www.cdsa.ufcg.edu.br/portal/outras_paginas/documentos/plano_negocio_nupagro_2012.pdf),
o Agroparque, tem como missão “desenvolver tecnologias, parcerias e práticas acadêmicas,
agroindustriais e agropecuárias de base agroecológica, adaptadas às
necessidades do semiárido, com o objetivo de fortalecer as organizações
produtivas da agricultura familiar e gerar contribuição de subsistência e de
reinvestimento para a instituição”.
“Neste sentido, o Complexo Agroindustrial Modelo funcionará
como uma unidade produtiva voltada para o mercado, viabilizando a
comercialização dos seus produtos, de produtores associados, cooperativas,
MPE’s, Empresas Juniores e Empresa Incubadas, visando não apenas gerar
receitas, mas promover a inclusão no mercado dos agricultores familiares e
pequenos empreendedores locais, gerando renda e movimentando a economia
regional”, disse o caniello.
“Segundo a pesquisa de mercado do Plano de Negócios, por ser
um setor produtivo, o Agroparque se torna autossustentável, pois, com a venda
de seus produtos ele conseguirá, depois de aproximadamente cinco anos se manter
independente e ainda gerar uma renda para novos investimentos e projetos. A
ideia é construir uma estratégia de marketing fundamentada no slogan do Banner
do Nupagro (Do Campus à mesa), envolvendo todos os produtores associados”.

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