O jogo eleitoral não é limpo, não é leve. Principalmente por parte daqueles que tratam exclusivamente do poder em si e da política para si. Anote-se neste rol grande parte dos candidatos, dos empreiteiros, da mídia, dos jornalistas, dos radialistas. Muitos fazem das eleições um negócio e um meio de vida, sem o mínimo escrúpulo. No vale tudo para passar a perna na população agenciam os mais variados expedientes para lograr êxito nas suas trapaças.
As exceções salvam a regra, mas já começou a corrida dos lacaios de plantão, com pesquisas, enquetes, silêncios e factóides para deturpar o processo eleitoral. Num país onde impera a impunidade e a lentidão da Justiça, o risco dos deturpadores da mídia vale à pena porque os reparos feitos tardiamente não corrigem os efeitos imediatos das maldades efetuadas durante os pleitos eleitorais.
Em nível de Brasil, o fenômeno Lula da Silva já derrotou a mídia francamente conservadora e elitista, mas nunca faz mal lembrar como a Rede Globo interferiu nas eleições nacionais de 1989. Primeiro quando divulgou amplamente as imagens dos seqüestradores do empresário Abílio Diniz, vestidos com camisetas da campanha de “Lula lá”, sendo conduzidos pela polícia paulista, no Governo do PMDB. A Globo fez uma cobertura jornalística associando os bandidos à campanha do PT. Já na edição do debate no segundo turno naquela mesma eleição, a Rede Globo pinçou os piores momentos de Lula e os melhores momentos de Collor e levou ao ar exaustivamente uma peça eleitoral com carimbo de jornalismo.
Na Paraíba o jornalismo feito pelas duas maiores redes de rádio e TV nas eleições estaduais de 2010 foi todo contra a candidatura de Ricardo Coutinho. O departamento de jornalismo do Sistema Correio, conduzido de fora pela principal assessora de José Maranhão na área de comunicação fez exaustiva campanha em favor do candidato do PMDB. Não foram poucas as pesquisas que davam folgada vitória a “Zé”. Não foram poucas as notícias negativas coladas na imagem de Ricardo Coutinho. A Rede Paraíba, por seu turno, com a sutileza do padrão Globo, divulgou uma infinidade de pesquisas que davam como líquida e certa a derrota do socialista Ricardo Coutinho. Mas Sua Majestade construiu outro resultado nas urnas já no primeiro turno do pleito: Deu o que se sentia nas ruas, vitória do socialista.
Nos pequenos municípios o jogo pesado não é diferente, a exemplo de Serra Branca – PB, que nas eleições municipais de 2008 foi palco de uma fraude de setores da mídia: O tal depósito de quase trinta mil reais que a prefeitura teria feito na conta-salário do servidor Givanildo de Lima Souza, conhecido na cidade por “NIL”. A calúnia foi plantada no jornal Correio da Paraíba às vésperas da eleição. Em seguida foi repercutida nas emissoras de rádio sediadas no município. Milhares de cópias “xerografadas” do tal depósito foram distribuídas de casa em casa, criando uma grande celeuma no município. O calúnia de “NIL” só foi desbaratada pela Justiça três anos depois. Claro que este crime não é a única explicação para a vitória da chapa Gaudêncio-Torreão, mas fez grandes estragos contra a candidatura governista. – Ao fim e ao cabo, “NIL” foi premiado pelo “novo” governo gaudencista com o cargo de Diretor Administrativo do Instituto de Previdência do Município de Serra Branca. Nenhuma fala foi feita pelas emissoras de rádio sobre o desfecho da farsa montada para beneficiar a campanha de Dudu/Guilherme.
Este ano não vai ser diferente. Em todos os municípios. Calúnias serão feitas, abertas ou subterrâneas. Enquetes serão deturpadas. Pesquisas serão montadas. Tudo para beneficiar os esquemas políticos que se dispõem a pagar pelo trabalho dos mercenários. Mas a eleição é decidida no voto. Pelos eleitores e eleitoras
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