terça-feira, 15 de maio de 2012

Opinião: A moral do povo e o candidato que não pode ser


Por Zizo Mamede
 
Das muitas conversas sobre as eleições municipais, uma das mais contundentes eu ouvi na feira livre: Foi sobre a escolha de quem pode e de quem não pode ser candidato a prefeito.
Um popular e sua esposa me pararam prá falar sobre uma entrevista que eu concedi numa emissora de rádio do Cariri. Agente foi se encontrando e o cidadão foi logo falando com firmeza: “Gostei daquela resposta que você deu quando o locutor quis saber a sua opinião sobre o candidato a prefeito do outro lado. É daquele jeito mesmo! Não deve se meter no partido dos outros!”
Pego de surpresa, tentei ganhar tempo para me situar na conversa: “Mas jornalista é assim mesmo. Ele pergunta o que quiser e a gente responde o que quiser também.”
A mulher tomou a palavra: “Certo. Mas nem todas as pessoas que vão ‘na’ rádio pensam assim não. Eu outro dia ouvi um político do outro lado querendo ‘dá’ pitaco na escolha do candidato do partido da gente.”
Eu comentei: “Mas isso é coisa de político desocupado, que não tem notícia boa prá dar ao povo.”
“É verdade!” – disse ela. “Coisa de fuxiqueiro que leva a vida a envenenar a vida dos outros!”
“Eles deviam se preocupar com o partido deles...” – disse o cidadão – “Nós mesmo não damos pitaco na escolha do candidato do partido deles.”
Eu retomei a palavra para lembrar que “cada partido deve ter suas regras, seus critérios e deve ser respeitado na escolher quem vai ser candidato.”
“Isso mesmo!” – exclamou o cidadão, acomodando as sacolas com as compras no chão. E continuou: “Eu mesmo acho que os partidos têm que escolher candidatos que sejam honestos e que gostem de trabalhar.”
“É mesmo!” – exaltou-se a esposa dele, gesticulando com a carteira de documentos na mão – “Por que a gente sabe que tem político por aí que além de fuxicar, não gosta de trabalhar e só sabe ser puxa-saco dos outros. Esses não podem ser candidatos em partido nenhum.”
O cidadão foi pegando as sacolas no chão, se preparando prá ir embora e ainda disparou: “Se for político que pega a brita da prefeitura prá fazer a casa dele pior ainda. Esse é que não pode ser candidato mesmo.”
A mulher foi saindo, acompanhando o esposo, mas ainda disse: “E se for daqueles que tentam agarrar as mulheres à força? Esses tarados é que não podem ser candidatos não é mesmo?”
O casal seguiu seu caminho. Eu segui o meu destino em sentido contrário, mas fui pensando: “O povo sabe de cada história. De quem será que eles estão falando?”

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