Por Zizo Mamede
Para
além dos folguedos, dos arroubos e dos ufanismos tonitruantes – tão manjados,
tão desgastados quanto banais – Serra Branca tem sim o que comemorar. Mas
convém distinguir entre o município e a prefeitura, para não cometer aquele
mesmo equívoco da cidadã da comunidade de Olho d’Água do Padre, que na sua
indignação contra o prefeito desta edilidade, taxou a outrora “Rainha do
Cariri” de Iraque e botou Serra Branca como um todo no mesmo fosso em que a
administração municipal se encontra. Portanto, calma lá, “que uma coisa é uma
coisa, outra coisa é outra coisa”, diz o ditado popular.
Apesar
da volta da gestão pública ao fundo do poço, como retrata tão claramente o
índice de Gestão Fiscal sistematizado pela Federação das Indústrias do Rio de
Janeiro, SESI e SENAI, o que desestimula empresários a investirem em Serra
Branca, conterrâneos continuam apostando seus esforços e seu suor por estas
terras. Veja-se a propósito os grandes empreendimentos no ramo do comércio que
avultam na cidade, no ramo do lazer e do esporte, entre os maiores do Cariri
Ocidental. Também são dignas de nota as lutas da Associação de Apicultores e da
Associação Comunitária de Pequenos Produtores das Duas Serras.
Se
há paralisia nas obras e nos projetos sociais por parte da prefeitura, a
sociedade civil por seu turno continua com fôlego suficiente para as
iniciativas bem sucedidas, a exemplo do Curso Pré Vestibular do INDECC, da
Rádio Comunitária Solidariedade, da Escolinha de Futebol Craques de Fé, da Escola
Filarmônica Maria Guimarães, da Sociedade Vicentina (esta a mais antiga
instituição civil que presta serviços à comunidade antes mesmo da emancipação
do município).
Serra
Branca é o município da região com mais jovens matriculados em universidades
públicas na última década. Esta ambição benigna de centenas de jovens que
“ralam” cotidianamente entre o trabalho e a sala de aula de um curso superior,
muitas vezes jogados num transporte precário todos os dias, faz toda diferença.
São pessoas, centenas de pessoas que se
distinguem entre os que se rendem à lógica tradicional que joga tudo para baixo
e para trás. Estas pessoas de elevada auto-estima se insurgem, emergem e se
lançam prá cima e para frente, mudando a própria vida e a vida dos outros que
assim desejem se destacar por mérito próprio.
As
pessoas, quando querem puxam o município prá cima, como um dia fizeram o Padre
João Marques, Dr. Inácio Antonino Gonçalves, Adelaide Vieira, Marli Rodrigues,
Ledson da Silva. George Gaudêncio, Prof. Zé Carneiro e Hermano Pereira, Dona
Amélia “parteira” e suas parceiras de ofício, todas estas pessoas memoráveis em
nossas memórias.
Outros
fizeram muito e fizeram bem até recentemente, a exemplo de Joca Lopo, Maria
Granjeiro, Quitéria Gouveia, Lolosa Almeida, Cambira e outros que também
ensinaram às gerações seguintes com gestos de dedicação ao trabalho na cidade.
Muitas
continuam fazendo, fora das esferas do poder público estatal e dos
interesseiros holofotes, como Estelita e Edite Antonino, Rogéria do Salão,
Pastor Zé Maria, Salete Aleixo e Risoleide Barros, Maestro Ranieri, Evanildo das
Castanhas, Givanildo Santos, Edileuza Oliveira, Josias do Farias e Rinaldo
Mamede, para citar protagonistas do nosso tempo.
Principalmente
por todas estas cidadãs e cidadãos de ontem e de hoje, e outros milhares mesmo
anônimos, pessoas de boa vontade, Serra Branca tem o que comemorar.

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