segunda-feira, 30 de abril de 2012

Opinião: Serra Branca tem o que comemorar



Por Zizo Mamede
Para além dos folguedos, dos arroubos e dos ufanismos tonitruantes – tão manjados, tão desgastados quanto banais – Serra Branca tem sim o que comemorar. Mas convém distinguir entre o município e a prefeitura, para não cometer aquele mesmo equívoco da cidadã da comunidade de Olho d’Água do Padre, que na sua indignação contra o prefeito desta edilidade, taxou a outrora “Rainha do Cariri” de Iraque e botou Serra Branca como um todo no mesmo fosso em que a administração municipal se encontra. Portanto, calma lá, “que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, diz o ditado popular.
Apesar da volta da gestão pública ao fundo do poço, como retrata tão claramente o índice de Gestão Fiscal sistematizado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, SESI e SENAI, o que desestimula empresários a investirem em Serra Branca, conterrâneos continuam apostando seus esforços e seu suor por estas terras. Veja-se a propósito os grandes empreendimentos no ramo do comércio que avultam na cidade, no ramo do lazer e do esporte, entre os maiores do Cariri Ocidental. Também são dignas de nota as lutas da Associação de Apicultores e da Associação Comunitária de Pequenos Produtores das Duas Serras.
Se há paralisia nas obras e nos projetos sociais por parte da prefeitura, a sociedade civil por seu turno continua com fôlego suficiente para as iniciativas bem sucedidas, a exemplo do Curso Pré Vestibular do INDECC, da Rádio Comunitária Solidariedade, da Escolinha de Futebol Craques de Fé, da Escola Filarmônica Maria Guimarães, da Sociedade Vicentina (esta a mais antiga instituição civil que presta serviços à comunidade antes mesmo da emancipação do município).
Serra Branca é o município da região com mais jovens matriculados em universidades públicas na última década. Esta ambição benigna de centenas de jovens que “ralam” cotidianamente entre o trabalho e a sala de aula de um curso superior, muitas vezes jogados num transporte precário todos os dias, faz toda diferença.  São pessoas, centenas de pessoas que se distinguem entre os que se rendem à lógica tradicional que joga tudo para baixo e para trás. Estas pessoas de elevada auto-estima se insurgem, emergem e se lançam prá cima e para frente, mudando a própria vida e a vida dos outros que assim desejem se destacar por mérito próprio.
As pessoas, quando querem puxam o município prá cima, como um dia fizeram o Padre João Marques, Dr. Inácio Antonino Gonçalves, Adelaide Vieira, Marli Rodrigues, Ledson da Silva. George Gaudêncio, Prof. Zé Carneiro e Hermano Pereira, Dona Amélia “parteira” e suas parceiras de ofício, todas estas pessoas memoráveis em nossas memórias.
Outros fizeram muito e fizeram bem até recentemente, a exemplo de Joca Lopo, Maria Granjeiro, Quitéria Gouveia, Lolosa Almeida, Cambira e outros que também ensinaram às gerações seguintes com gestos de dedicação ao trabalho na cidade.
Muitas continuam fazendo, fora das esferas do poder público estatal e dos interesseiros holofotes, como Estelita e Edite Antonino, Rogéria do Salão, Pastor Zé Maria, Salete Aleixo e Risoleide Barros, Maestro Ranieri, Evanildo das Castanhas, Givanildo Santos, Edileuza Oliveira, Josias do Farias e Rinaldo Mamede, para citar protagonistas do nosso tempo.
Principalmente por todas estas cidadãs e cidadãos de ontem e de hoje, e outros milhares mesmo anônimos, pessoas de boa vontade, Serra Branca tem o que comemorar.

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