domingo, 1 de abril de 2012

Opinião: Serra Branca – Quem é vítima? Quem é reu?

Por Zizo Mamede

Está em curso no município de Serra Branca um processo premeditado de vitimização do prefeito Eduardo Gaudêncio Torreão. O esforço empreendido na construção dessa trama sentimentalista tem ingredientes de dar inveja aos autores dos melhores dramalhões mexicanos. Mais uma vez o Gaudêncio Torreão encena uma de vítima, sempre em busca de dividendos políticos e eleitorais.

O objetivo é inverter a ordem das coisas no que diz respeito à ação movida pelo Ministério Público Estadual contra o prefeito por conta de um “mal feito” que Dudu Gaudêncio Torreão cometeu no ano de 1999, durante o seu primeiro mandato: tentou passar uma grande dívida do Hospital Alice Gaudencio para a prefeitura de Serra Branca.

Dá dívida – Durante décadas o partido dos gaudêncios-torreões fez política em Serra Branca usando a doença da população. – Atenção para o conceito de política dos gaudêncios-torreões: Doença dá votos. Saúde não dá votos. Daí que a criação da Fundação e do Hospital Alice Gaudêncio foi por muito tempo o grande instrumento para a reprodução do poder dessa família no município.

Mas o Hospital Alice Gaudêncio, mantido com dinheiro público repassado pelo Governo Federal, não pagava as obrigações patronais, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e a contribuição previdenciária, prejudicando os funcionários que trabalhavam na instituição.

Perguntar é melhor do que afirmar: O que os sucessivos diretores da Fundação e do Hospital Alice Gaudêncio fizeram com a parte do dinheiro que era para pagar os direitos dos seus funcionários?

De dívida em dívida a família Gaudêncio-Torreão fechou o Hospital Alice Gaudêncio, mesmo a instituição tendo como fonte mantenedora o dinheiro público, dinheiro oriundo dos impostos pagos pela população brasileira.

A esperteza dos Gaudêncios-Torreões – Em 1999 já havia várias decisões judiciais contra os diretores do Hospital Alice Gaudêncio. Só a dívida com o INSS era mais de 500 mil reais. Todo o patrimônio do Hospital Alice Gaudêncio, segundo a própria Justiça à época não chegava a 100 mil reais. – O leilão do patrimônio do Hospital pela Justiça não pagaria 20% (vinte por cento) de tudo que deviam aos funcionários e ao Governo Federal.

Para cobrir o montante da dívida do Hospital Alice Gaudêncio, além do leilão do terreno e do prédio, a Justiça teria que expropriar o patrimônio particular daqueles que foram diretores do Hospital e fizeram um rombo nas contas da instituição.

Eis que numa reunião de primos e amigos o prefeito Dudu Gaudêncio-Torreão fechou um negócio em família: O patrimônio do Hospital Alice Gaudêncio seria doado a prefeitura de Serra Branca. Para retribuir tamanha bondade da família Gaudêncio-Torreão, a prefeitura de Serra Branca assumiria as dívidas do Hospital.

Para encobrir a negociata, o prefeito rapidamente passou a gastar dinheiro da prefeitura de Serra Branca nas ruínas do Hospital.

A decisão da Justiça – Esse negócio de pegar um patrimônio de menos de 100 mil reais em troca de uma dívida de mais de 500 mil reais não teve arrego na Justiça, que desmanchou o mal feito de Dudu Gaudêncio Torreão e de seus primos. O Tribunal de Contas emitiu parecer contra a prestação de contas do prefeito e o Ministério Público Estadual ingressou na Justiça contra Dudu Gaudêncio Torreão pela lesão e prejuízo que ele cometeu contra o erário público e tudo o mais de ruim que tem nessa história.

Ao fim e ao cabo o patrimônio do Hospital Alice Gaudêncio foi vendido em um leilão realizado pela Justiça. O preço da aquisição do terreno: 33 mil reais no ano de 2007.

Pelo mal feito dos prejuízos dados causados ao município e pela transgressão da lei, o prefeito Dudu Gaudêncio Torreão foi condenado pela Justiça em primeira instância. Foi novamente condenado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.

O dramalhão – Agora que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) está julgando um recurso do prefeito Dudu Gaudêncio Torreão para tentar reverter ou pelo menos adiar o desfecho desta historia, são diversas as reações no círculo da família Gaudêncio Torreão. Em um núcleo da peça, o vice-prefeito Guilherme Gaudêncio, que nunca teve a oportunidade de sentar por um dia na cadeira do prefeito, depende da confirmação da condenação e da perda dos direitos políticos do primo-prefeito para ter a oportunidade que Dudu nunca lhe deu de assumir o mandato: assumir a prefeitura e ser candidato a prefeito com a caneta da prefeitura na mão.

No outro núcleo, o prefeito faz o que pode e torce para que o STJ anule a sua condenação, assegurando os seus direitos políticos, inclusive de ser candidato à reeleição.

Para completar a obra, mais um ato, desta feita para envolver a platéia: enquetes de rádio tentam criar uma comoção na cidade em defesa do “drama” do prefeito. O cenário é perfeito: O tempo da Quaresma. Todos querem ser Jesus, desde que não sejam imolados. Nenhum deles quer ser Judas. Nenhum deles quer ser Barrabás.

Eis a república do partido político dos gaudêncios-torreões: O reú quer ser vítima. O que as vítimas acham disso?

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