quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Opinião: A Imprensa Oficiosa

Por Zizo Mamede

Na Paraíba a chamada mídia em sua maioria parece uma extensão das esferas do Estado (governos e parlamentos). Um simples olhar sobre as capas dos jornais e revistas dão a dimensão desse desvirtuamento do papel da imprensa. Com muitos sites e com os blogs não é muito diferente. As exceções confirmam a regra. E nas exceções ainda há alguns que tem mais lundus e sisudez do que diferenças de fundo.

Essa situação da imprensa paraibana revela acima de tudo que a sociedade é muito frágil e os poderes públicos, governos, prefeituras, parlamentos, são mais fortes.

Na Paraíba a economia ainda é frágil. As forças da economia, os empreendedores e os consumidores, não são suficientemente fortes para por si mesmos financiar as redes de TVs e as emissoras de rádio, que ficam a mercê dos anúncios oficiais. Essas empresas existem ante de tudo para lucrar e ganhar dinheiro. Muitos sites e os blogs, com as mesmas e honrosas exceções, não fogem a essa tradição e, como são mais baratos, prestam serviços mais acessíveis também às legendas eleitorais e parlamentares. Alguns ao meras extensões das prefeituras.

Não se trata aqui de questionar o sagrado direito da opção editorial por esse ou aquele projeto político. Não! Entretanto, não se pode acobertar com o silêncio covarde e nas sombras a desonestidade daqueles que tentam esconder dos espectadores, dos ouvintes e dos leitores as opções políticas e a pseudo-impossível-imparcialidade da mídia.

Também são frágeis os movimentos sociais, as organizações de classe e outras instituições da sociedade civil. Afora algumas igrejas, um ou outro sindicato de patrões, sindicato de servidores federais, conselhos de categorias profissionais liberais mais abastadas, as forças sociais mais vivas não têm poder econômico para se inserir no mercado que a mídia oferece.

Os poderes, com destaque para o poder executivo, estão no centro do que a sociedade seria a margem manipulável. O poder público estatal cria a agenda que ganha destaque. O poder público cria os fatos e a mídia, a partir das redações, cria as versões que interessam ao poder.

O poder é protagonista do que a sociedade é coadjuvante. O que a sociedade cria não ganha destaque. O que a sociedade pauta, invariavelmente é deixado de lado. Não dá capa.

Os riscos dos contracheques
Outro aspecto que causa sérios prejuízos à comunicação social é a histórica desvalorização dos profissionais do setor - E muitos fazem por onde se desvalorizar em prejuízo de todos. Os jornalistas de profissão e os “amadores” “fazem das tripas o coração” na luta por um mínimo de segurança material. Muitos e muitas, ao mesmo tempo em que estão na frente das câmeras e dos microfones ou numa redação, têm contracheques do poder público ou são agregados dos mandatos eletivos - zonas de sobrevivência que põem em risco a dignidade que a missão exige.

Nesse ambiente, não é de espantar os zigue-zagues, às vezes sutis às vezes escancarados e descarados, que algumas pessoas de imprensa fazem nos períodos eleitorais e pós-eleitorais.

A política do show e o show da política.
Dos políticos não se espere grandes contribuições para reverter esse quadro. Hoje, mais do que nunca a política tornou-se um show, um produto onde a imagem da embalagem é muito mais importante do que o conteúdo. E os políticos, quase todos, não pensam para uma geração, mas para uma eleição. Um show a cada dois ou quatro anos, entremeados com os showzinhos do cotidiano. O horizonte é muito curto.

Os proprietários de meios de comunicação de massa usam isto como instrumento eleitoral e como moeda de troca com – e contra - os governos. O circuito do show se fecha com o desempenho das agências de publicidade e dos marqueteiros, esses mágicos, com suas pesquisas qualitativas, seus sons e cores. Criadores de um mundo sem profundidade.

A sociedade é tratada como a platéia do show. Como público.

Quem não se enquadra é jurássico.


Os germes da contradição
Na sociedade planetária a Internet é um instrumento que contribui, mas também contraria a tendência de massificação e homogeneização do pensamento e das sensibilidades. Da mesma forma, em cada célula do sistema midiático há forças que se movimentam na contramão da correnteza. Em nosso meio, são poucas, mas firmes as personalidades que fazem a diferença, que contrariam os projetos comuns a quase toda a mídia.

Essa minoria entre os profissionais de comunicação é um exemplo para um crescente número de amadores (sem aspas para evitar interpretações confusas) que nos blogs, sem cerimônias, comunicam com parcialidade.

Essa minoria alimenta a convicção, também para quem não é do ramo, de que vale a pena lutar pela liberdade de imprensa - apesar dos maus exemplos da maioria que usufrui dessa liberdade para fins meramente pessoais e mercantilistas. Sem escrúpulos.

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