segunda-feira, 11 de junho de 2012

Opinião: Sustentatibilidade do planeta – qual é o teto?


Por Zizo Mamede
A Rio + 20 bate à porta! As minorias fazem o que podem para sensibilizar a sociedade planetária sobre os limites da Terra face à voracidade humana. Mas como conter a queima geral do planeta? Brasileiras e brasileiros tem alguma resposta? O Brasil não é o centro do mundo – o mundo não tem mais centro mesmo! – Mas não há como pensar o mundo senão a partir do próprio terreiro.
O Governo brasileiro anuncia queda no ritmo de desmatamento da Amazônia, mas em termos absolutos a área desmatada só faz crescer, para abastecer a indústria com madeira ou para dar lugar ao gado, à soja e às represas das hidrelétricas. Que fazer, por exemplo, para comer um simples churrasco sem o consumo de muita água e muito capim no pasto?
Um ministro anuncia que o Brasil se aproxima de zerar o saldo de residências sem energia elétrica, enquanto outro divulga a redução do IPI para a chamada linha branca de eletrodomésticos. Como mais e mais pessoas farão o gesto tão “banal” de ligar uma lâmpada com energia elétrica, clicar o controle remoto da TV, ou trocar o tanque pela máquina de lavar sem que se altere o curso dos rios? – “Energia atômica? Cruzes! Nem pensar!” – Gritam os animistas.
O mercado tupiniquim quebra sucessivos recordes na criação de postos de trabalho – apesar de ainda ter seis por cento de brasileiros desempregados. São seis milhões de trabalhadores sem trabalho. É muita gente. E o Governo se desdobra na luta incessante contra um “pibinho’ de “apenas” dois meio por cento ao ano. – Abaixo disso já é um vexame. É com empregos que se empregam os desempregados, que se aumenta o consumo e que se segura o PIB. Mas a roda que gira a produção e o comércio, não é a mesma roda que gira o consumo, que gira e que mói a água, o pau, a pedra, o oxigênio e o carbono?
O Brasil desenvolveu com sucesso tecnológico a sua matriz de energia renovável, o álcool combustível. Mas o álcool toma a terra da produção de alimentos. E o álcool só compensa a um determinado preço, porque o mais importante não ser de fonte renovável, é a competitividade com outro combustível. Do contrário é melhor queimar petróleo. E o gás natural? E o combustível da mamona? – Nada disso, nada mesmo é tão anunciado, tão disputado, tão aguardado, quanto o petróleo do Pré Sal. Já tem prefeito gastando por conta.
As cidades estão abarrotadas de carros. As ruas estão estreitas e estressadas. Fumacentas. Lentas. Barulhentas. Menos IPI, mais crédito, mais carros, mais empregos. – Vai ser cada pessoa num carro, mesmo que um carro comporte quatro pessoas. E ter um carro é outra história. Como ser feliz sem um carro? Como ser importante? Como ser competente sem dirigir seu próprio carro? – Quem não tem um está a toa! – insinua o marketing que não cria só consumidores e gostos, cria valores.
 
No mundo, as bocas famintas beiram o bilhão de almas. Na China, a locomotiva do século XXI, ainda há centenas de milhões e pessoas abaixo de uma linha de consumo que nega a mínima dignidade. No Brasil, só no Brasil, são dezesseis milhões de miseráveis a desafiar governos e sociedade. Como assegurar-lhes o piso de consumo digno, o mínimo de calorias diárias, sem extrair mais energia da natureza?
A crise econômica assombra o mundo. A solução não é a austeridade, é a produção e o consumo. Como enfrentar a crise, sem consumir o mundo?
Enquanto na Terra, um grande número de terráqueos habita sem acesso a um piso mínimo de consumo que se possa prezar, uma minoria consome sem limites de teto. E quem é louco de pensar em teto de consumo, mesmo prá essa minoria sem limites? – A Terra por sua vez, que não tem consciência de si, que não sabe nem que é Terra, a Terra mesmo não está nem aí!

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