quarta-feira, 25 de abril de 2012

Opinião: Serra Branca – Na contramão da bandeira ambiental


Por Zizo Mamede
As preocupações com o meio ambiente ainda estão longe do apelo eleitoral que move a maioria dos políticos e seus asseclas. No meio da população, apenas uma nano-minoria tem sensibilidade contra a destruição da natureza. As pessoas quase sempre guardam uma visão prometeica dos recursos naturais do planeta. O bom e o belo se confundem com o projeto de vida cada vez mais sofisticada, embalada pelo ideal do consumo farto. Enquanto este modelo de vida não for revisto, os avanços nas políticas ambientais serão sofríveis.
Nos pequenos municípios – pequenos naquilo que significam em números populacionais – esta preocupação com o meio ambiente continuará ainda mais distante. Nestes municípios o cotidiano segue o mesmo padrão de consumo das cidades grandes, onde prevalece o uso de combustíveis fósseis e de descartáveis. A rotina segue a mesma tônica, com a natureza aí ao dispor da humanidade.
A maioria fora da lei – A legislação que dá prazo para que todos os municípios do Brasil deem um destino adequado para o lixo estabelece para os próximos dias a data limite para a adoção das medidas ambientalmente corretas, a exemplo dos aterros sanitários. A maioria das cidades não cumprirá a Lei Federal 12.305/2010 que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Nesta lei está claro que os municípios estão obrigados a, até agosto de 2012, implementarem o Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos com a coleta seletiva do lixo.
Maria vai com as outras – A cidade de Serra Branca poderia já ser uma boa exceção à regra, mas a construção do aterro sanitário continua paralisada e nenhum esforço do governo dos Gaudêncios-Torreões é feito para retomada da obra aprovada e financiada com recursos da FUNASA. A turma da prefeitura optou por abrir mais um lixão nos arredores da cidade, em vez de comprar a boa briga com um único cidadão que não quer o aterro sanitário no município.
O interesse público na privada – Um cidadão que não mora em Serra Branca, mas que é proprietário de uma chácara localizada nas proximidades da área adquirida pela prefeitura para localização do aterro sanitário, não admite a conclusão da obra que beneficiará milhares de pessoas. Para tanto, se prevalece de uma ação que uma ONG – tão estranha no cotidiano da cidade quanto um alienígena – moveu na Justiça contra a execução da obra. O gozado é que a mesma ONG nunca se pronunciou contra os lixões da cidade.
Indolente: O prefeito de Serra Branca, pouco dado ao trabalho, cruzou os braços. E de quebra beneficia um de seus advogados, exatamente o tal proprietário que é contra o aterro sanitário.
O futuro próximo – As gerações futuras irão cobrar a conta do descaso da gestão e da geração atual, que não deu a mínima atenção para o problema do lixo da cidade. No futuro mais próximo, quando agosto chegar, o Ministério Público será provocado a falar.

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