Por Zizo Mamede
As preocupações com o meio
ambiente ainda estão longe do apelo eleitoral que move a maioria dos políticos
e seus asseclas. No meio da população, apenas uma nano-minoria tem
sensibilidade contra a destruição da natureza. As pessoas quase sempre guardam
uma visão prometeica dos recursos naturais do planeta. O bom e o belo se
confundem com o projeto de vida cada vez mais sofisticada, embalada pelo ideal
do consumo farto. Enquanto este modelo de vida não for revisto, os avanços nas
políticas ambientais serão sofríveis.
Nos pequenos municípios –
pequenos naquilo que significam em números populacionais – esta preocupação com
o meio ambiente continuará ainda mais distante. Nestes municípios o cotidiano
segue o mesmo padrão de consumo das cidades grandes, onde prevalece o uso de
combustíveis fósseis e de descartáveis. A rotina segue a mesma tônica, com a
natureza aí ao dispor da humanidade.
A maioria fora da lei –
A legislação que dá prazo para que todos os municípios do Brasil deem um
destino adequado para o lixo estabelece para os próximos dias a data limite
para a adoção das medidas ambientalmente corretas, a exemplo dos aterros
sanitários. A maioria das cidades não cumprirá a Lei Federal 12.305/2010 que
estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Nesta lei está claro que os
municípios estão obrigados a, até agosto de 2012, implementarem o Plano
Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos com a coleta seletiva do
lixo.
Maria vai com as outras
– A cidade de Serra Branca poderia já ser uma boa exceção à regra, mas a
construção do aterro sanitário continua paralisada e nenhum esforço do governo
dos Gaudêncios-Torreões é feito para retomada da obra aprovada e financiada com
recursos da FUNASA. A turma da prefeitura optou por abrir mais um lixão nos
arredores da cidade, em vez de comprar a boa briga com um único cidadão que não
quer o aterro sanitário no município.
O interesse público na
privada – Um cidadão que não mora em Serra Branca, mas que é proprietário
de uma chácara localizada nas proximidades da área adquirida pela prefeitura
para localização do aterro sanitário, não admite a conclusão da obra que
beneficiará milhares de pessoas. Para tanto, se prevalece de uma ação que uma
ONG – tão estranha no cotidiano da cidade quanto um alienígena – moveu na
Justiça contra a execução da obra. O gozado é que a mesma ONG nunca se
pronunciou contra os lixões da cidade.
Indolente: O prefeito de
Serra Branca, pouco dado ao trabalho, cruzou os braços. E de quebra beneficia
um de seus advogados, exatamente o tal proprietário que é contra o aterro
sanitário.
O futuro próximo – As
gerações futuras irão cobrar a conta do descaso da gestão e da geração atual,
que não deu a mínima atenção para o problema do lixo da cidade. No futuro mais
próximo, quando agosto chegar, o Ministério Público será provocado a falar.

0 comentários:
Postar um comentário