quinta-feira, 29 de março de 2012
Opinião: Serra Branca – E a merenda das crianças? Que bicho comeu?
Segunda-feira pela manhã, na feira de Sumé, casualmente encontro conterrâneos de comunidades do município de Serra Branca. Gente de Sucuru, de Santa Luzia do Cariri e da região das Serras. Logo nos vimos numa roda de conversas as mais variadas.
Um agricultor, de pele curtida do sol abrasador de todos os dias, lamenta a demora do inverno que não chega: “Será castigo de Deus para punir os pecados dos homens esse inverno que não chega?” – perguntou ele desanimado.
“Que nada!” – respondeu a sua própria esposa – “Se Deus fosse castigar os nossos pecados, o que Deus ia fazer com o povo de Serra Branca? ‘Taí’ a falta de merenda nas escolas de Sucuru! ‘Faz’ duas semanas que as crianças ‘num vê’ a cor da merenda! E que culpa as crianças tem para pagar pelos erros dos adultos?” – continuou ela.
Uma mulher de Jericó, mãe de alunos da escola municipal, de dedo na vertical, exclamou que “na Serra também não tem merenda nas escolas e as crianças chegam em casa reclamando. Muitas não agüentam a fome e voltam da escola logo cedo.”
“Lá em Santa Luzia também está do mesmo jeito. Já está dentro de três semanas que falta merenda na escola municipal” – disse um jovem trabalhador.
“Será falta de dinheiro?” – perguntou o agricultor de Sucuru, como quem já sabia da resposta.
Então respondi o que todos ali já sabiam: “Dinheiro para a merenda tem sobrando. É dinheiro do Governo Federal que chega todos os meses na conta bancária da prefeitura”.
“Olha aí!” – interrompeu o jovem de Santa Luzia – “Olha aí! Eu sabia que tem uma coisa errada na merenda das crianças de Serra Branca e não é por falta de dinheiro!”
Retomei a fala: “Dinheiro para a merenda tem com sobras desde o tempo que o presidente Lula aumentou a cota que o Governo Federal passa para comprar a merenda das crianças. Tanto sobra que no tempo que o PT estava no governo em Serra Branca, o dinheiro ainda dava para comprar a comida oferecida às crianças nas cozinhas comunitárias do Ahú, Pereiros Odonzão.”
“Se o dinheiro vem para a merenda, vem com sobra e não tem merenda nas escolas, o que estão fazendo com o a merenda das crianças?” – reclamou a mulher de Jericó olhando prá mim
Encolhi os ombros prá cima. Franzi a boca e fiz um bico. Abri os braços e com as palmas das mãos abertas prá cima gesticulei que não sabia responder.
“Já sei!” – resmungou a mulher de Sucuru olhando para o marido – “Já sei onde foi parar a merenda das crianças na escola: O gato comeu!”
Uns se balançaram o corpo levemente sem nada falar. Outros se entreolharam sem coragem de algo dizer. Eu por minha vez, também mudo me perguntei: “O gato comeu? Não estão confundindo o animal?
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