Por Zizo Mamede
Na zona rural de Sucuru,
um dos distritos do município de Serra Branca, conversávamos com alguns
agricultores sobre as dificuldades trazidas pela estiagem, mas a conversa
rapidamente enveredou pela política. Um aposentando, sentado em um tamborete na
extremidade da calçada, enrolava fumo de rolo no papel enquanto perguntava
sobre as novidades da política: “Quem são os ‘candidato’ em Serra Branca?” –
perguntou ele.
Nem consegui responder
àquela pergunta. A irmã do aposentado, tirando um chapéu de pano da cabeça prá
ajustar um lenço amarrado no cabelo foi logo acusando: “Aqui em Sucuru não tem
uma pedra ‘sentada’ pelos gaudêncios. Nada mesmo! O Posto de Saúde foi Juarez
Maracajá que mandou construir. A escola também. A energia é do tempo de Dr.
Agostinho e do PT. A água foi o governo do PT que ‘botou’ num monte de casas.
Dos gaudencios mesmo ‘num’ tem nada.”
Um agricultor mais
jovem, montado em cima de um cavalo, reclinou-se na sela e emendou: “Tem uma
coisa dos gaudêncios aqui em Sucuru: A esperteza de Joda Zuza, ‘foi’ os
gaudêncios que trouxeram prá cá. Ou não foi?”
Entrei na conversa:
“Joda Zuza entrou na política pelas mãos de Juarez Maracajá e se elegeu nas
costas da prefeitura em 1988. Foi eleito junto com o prefeito Tião e contra os
gaudêncios e os torreões, mas não teve consideração nem com Tião nem com Juarez
Maracajá.”
O aposentado retomou a
palavra: “É... Mas Joda Zuza chegou aqui depois que se fez em Santa Luzia do
Cariri. Como não conseguia crescer mais ‘prô’ lado de lá, aí ele começou a se
espalhar prá o lado de cá também.”
Voltei à conversa: “De
fato, Joda Zuza nunca teve cinquenta por cento dos votos de Santa Luzia do
Cariri e para se sustentar no poder ele pendeu prá o lado de cá de Sucuru.”
“Joda Zuza é sabido!” –
Exclamou o rapaz sem descer do cavalo. “Vê só! No tempo do PT tinha um carro da
prefeitura aqui prá carregar os doentes, mas quando Dudu entrou na prefeitura,
Joda tirou o carro daqui prá botar uma pessoa dele. Outra coisa, no tempo da
eleição Dudu prometeu nomear um rapaz aqui como administrador de Sucuru, mas
Joda exigiu que o prefeito nomeasse Ademar que é lá do Riacho do Buraco.”
“Então Joda Zuza é o
prefeito de Sucuru?” – perguntei.
“É mesmo!” – Confirmou
o aposentado tirando o cigarro da boca. “Aqui em Sucuru ele é quem manda nas
coisas da prefeitura. E tem mais, Joda Zuza tem uns vaqueiros por aqui. Eu digo
que é uns vaqueiros, porque ele pensa que nós somos boiada. Outro dia, na
véspera da última eleição, eu vinha pela estrada quando o dono de um boteco
gritou prá eu parar que ele queria falar comigo. E ele veio com uma conversa
que se eu votasse em Joda Zuza, ele apagava a conta das minhas pingas da
caderneta.”
Eu fiquei curioso e
perguntei: “Como assim? Apagar seu nome da caderneta?”
“Foi assim mesmo!” –
disse o rapaz ainda em cima do cavalo. “Eles fizeram isso comigo também. Se eu
votasse em Joda Zuza, minha conta de cachaça estava paga. Imagine mesmo, dez
reais de cachaça, nem mais nem menos, Quando eu perguntei ao dono do bar quem
era que queria pagar a minha conta em troca do voto, aquele sem vergonha disse
que era segredo e não podia dizer o nome.”
O aposentado
levantou-se, esticou-se estalando as juntas e arrematou: “Mas o povo tá vendo
tudo. Eles botam os vaqueiros deles lá pra cima. Meia dúzia de puxa sacos que
querem manobrar o povo pensando que o povo de Sucuru é boiada. Vaqueiro prá
cima e boiada lá prá baixo. Pois ‘destá’ que o povo vai dar a resposta.”
Então eu perguntei:
“Como é que é? Os vaqueiros prá cima e a boiada prá baixo?”
“É assim que eles
tratam o povo.” – disse a agricultora. “Mas se depender de mim eles vão ficar
com cara de lô lô!”

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