A reunião era na casa de uma servidora municipal em um bairro da cidade. As pessoas assistiam a um vídeo sobre o município de Serra Branca, quando na tela do televisor passava cenas das cozinhas comunitárias que funcionaram associadas às escolas municipais até o ano de 2008. De repente uma mulher atraiu para si as atenções dos presentes:
“Eita como o tempo
passa rápido. Já entramos o quarto ano sem cozinhas comunitárias nas escolas
das nossas crianças” – disse ela em voz alta, se misturando aos sons das
músicas que vinham do vídeo.
A dona da casa deu
pausa no vídeo para entrar na conversa: “Pois é! Para quem prometeu não só
manter as cozinhas comunitárias funcionando, mas oferecer as refeições também
para os pais das crianças, o prefeito que está aí saiu pior do que a encomenda.
“Mas eu não boto a
culpa tanto no prefeito.” – disse o marido dela. “O pessoal já sabia que ele engana. Eu boto a
culpa mais nas pessoas que acreditaram nas conversas deles. Prá vocês terem uma
ideia, ele andou por aí no tempo das eleições, dizendo que se fosse eleito ia
ter pizza com guaraná nas cozinhas comunitárias. Um ‘homi’ que tem coragem de
dizer uma coisa dessas é porque sabe que pode mentir porque tem quem acredite
nele.”
“Pizza com guaraná?” –
Espantou-se uma jovem universitária que a tudo ouvia atentamente. “Eles
prometeram pizza com guaraná nas cozinhas comunitárias? Então eles faltaram com
o respeito a vocês duas vezes. Uma porque sabiam que estavam mentindo. Outra
porque rebaixaram a inteligência do povo ao nível de idiotas. Só pode ser!”
A dona da casa retomou
a palavra: “Eles já marcaram várias datas para reabrir as cozinhas
comunitárias. Já pegaram os nomes das crianças. Já disseram que tinham alugado
umas casas para botar as cozinhas comunitárias, mas até agora nada. Tudo
conversa!”
Um vereador do PT ali
presente deu uma pitada de contribuição na conversa: “Eles fizeram pior. Quando
eles chegaram ‘na’ prefeitura, eles encontraram um projeto aprovado no Governo
Federal em 2008 para construir o prédio da cozinha comunitária do bairro do
Ahu. Era uma verba de noventa e cinco mil reais. Já tinha também o terreno
comprado com dinheiro da própria prefeitura. Mas eles perderam esse projeto
porque não deram continuidade ao trabalho do governo anterior.”
“Taí a cereja do bolo!”
– Exclamou a universitária em tom de agressividade. “Para quem prometeu pizza
com guaraná, perder a verba do prédio a cozinha comunitária por pura preguiça é
um troco à altura de quem nele acreditou.”

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